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Corpus Hermeticum

Corpus Hermeticum, ou Hermetica, é o conjunto de textos escrito entre os séculos II e III na então província romana do Egito por Hermes Trismegisto,[1][2] que é a base do hermetismo.[3] É o resultado de um complexo sincretismo religioso de múltiplas influências que ocorreu no período da Pax Romana (Paz Romana, quando Egito teve contato com todo o Império Romano). Escrito na primeira pessoa por Thoth, ou Hermes Trismegisto, que conta sobre a conversa com noûs, espécie de divindade absoluta (consciência superior). O corpus discute: o divino, o cosmos, a mente, a natureza, a alquimia, a astrologia e, conceitos relacionados.[3]

No contexto do hermetismo, noûs é uma das bases para a salvação espiritual (soteriológica) e ensino (paideia) do hermetismo, onde o adepto é conduzido a um processo de reconexão com a natureza divina do humano, por meio da piedade (eusébeia) e do despertar do noûs (consciência superior), para conseguir acessar a verdadeira realidade, oculta aos sentidos comuns humanos.[1]

Durante os séculos seguintes, atribuiu-se erroneamente a esses textos uma exagerada antiguidade, situando-o na época das grandes pirâmides. Tal atributo lhe valeu uma leitura reverente e atenta que teve importante influência na ciência do Renascimento, quando quase tudo o que fora escrito na Antiguidade era lido como revelação fundamental.

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O termo Corpus Hermeticum, ou Hermetica, aplica-se, sobretudo, para a tradução latina de quatorze tratados de Marsilio Ficino (1433-1499), dos quais as primeiras edições apareceram antes de 1500, e posteriormente em 1641.[4] Esta coleção, que inclui o Pœmandres e alguns textos de Hermes aconselhando seus discípulos Tat, Amom e de Asclepius. Os três últimos tratados em edições modernas foram traduzidos de forma independente, a partir de um outro manuscrito por um contemporâneo de Ficino, Lodovico Lazzarelli (1447-1500) e impresso pela primeira vez em 1507.[5] Extensas citações de materiais semelhantes são encontrados em autores clássicos, tais como Joannes Stobaeus.

Em 1462, Marsilio Ficino trabalhava na tradução latina das obras de Platão para seu patrono Cosimo de Medici (primeiro membro da família de Medici, governou Florence durante o renascimento italiano), mas quando um manuscrito do corpus hermeticum foi disponibilizado, ele interrompeu seu trabalho em Platão e iniciou a tradução das obras de Hermes, que na época eram consideradas mais antigas e mais autoritárias que Platão.[6]

Partes do Corpus Hermeticum apareceram no 4.º século na biblioteca gnóstica encontrada em Nag Hammadi. Outras obras em siríacoárabearmêniocopta e outros idiomas também pode ser denominados Corpus Hermeticum ou Tábua de Esmeralda, que ensina a doutrina "como acima, assim abaixo".

Todos estes textos são próprios de uma mais extensa literatura, parte sincrética, do paganismo intelectualizado de sua época, um movimento cultural que incluiu também neoplatonismofilosofia greco-romanamistérios de Elêusisescola pitagórica e influenciado formas gnósticas das religiões abraâmicas. Existem diferenças significativas: a Hermetica não contêm alusões explícitas para a bíblia e está pouco preocupada com a mitologia grega ou minúcias da metafísica. No entanto, a maioria dessas escolas concorda em atribuir a criação do mundo para um demiurgo, em vez de o ser supremo, e em aceitar a reencarnação. Embora filósofos neoplatônicos, que citaram obras apócrifas de OrfeuZoroastroPitágoras e outras figuras, quase nunca citam Hermes Trismegistus, os tratados foram ainda bastante populares no século V, para serem contra-argumentados por Agostinho de Hipona, em Cidade de Deus.

O Corpus Hermeticum promoveu um impulso seminal no desenvolvimento da Renascença, no pensamento e na cultura, tendo um impacto profundo sobre a alquimia e a magia moderna, assim como teve influência sobre filósofos como Giordano Bruno e Pico della Mirandola, aluno de Ficino.

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Update Feb 2026

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