Hermes
A S C L E P I U S
O Asclepius, também conhecido como Logos Teleios ou Discurso Perfeito, é um influente tratado hermético religioso-filosófico escrito em Alexandria entre 100 d.C. e 300 d.C.. Atribuído a Hermes Trismegisto, o diálogo aborda temas como a natureza divina, o cosmos, a mente e o destino da alma, com foco na conexão entre o sagrado e a sabedoria interior.
Principais Pontos e Temas do Asclepius:
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Conteúdo e Origem: Embora o original grego tenha se perdido, o texto sobreviveu integralmente em tradução latina e parcialmente em fragmentos coptas de Nag Hammadi.
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O "Discurso Perfeito": O texto é um diálogo entre Hermes Trismegisto e Asclepius, focando na revelação da sabedoria divina e na imortalidade da alma.
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Profecias e Apocalipse: Inclui uma seção apocalíptica (Asclépio 21-29) que descreve o declínio do Egito como "imagem do céu", prevendo horrores, a queda moral e a futura restauração do cosmos.
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Significado Contemporâneo: Releituras modernas destacam o texto como um guia de transformação interior, relevante para a busca de sentido em meio ao caos da era da informação.
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Visão do Cosmo: O tratado descreve o papel de Deus como criador e a importância do conhecimento divino para a superação das limitações humanas.
O Asclepius é um dos principais textos da tradição hermética, influenciando o pensamento místico e filosófico ao longo dos séculos.

Asclepius 21-29 é o último tratado do códice VI da Biblioteca de Nag Hammadi (8, 65-78) e é, assim como o livro anterior (Prece de Ação de Graças), um fragmento copta sahídico do Discurso Perfeito, atribuído à Asclépio (ou Esculápio).
Versão latina
Em latim, a obra completa é conhecida como "De Hermes Trismegisto: livro sagrado dedicado a Asclépio". O texto grego original (o Discurso Perfeito) existia já no início do século IV dC, como prova a inserção nos Papiros Mágicos (PGM III 551) da prece final (Asclépio 41) e também as citações de Lactâncio em "Divinae Instituitiones". Fora estes casos, a data de sua composição é desconhecida.
Versão copta
Estes fragmentos de Nag Hammadi consistem nos capítulos 21 a 29 do "Discurso Perfeito" em copta:
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O sexo, mistério divino (21)
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Os deuses terrenos, o caráter divino do homem, o homem criador de deuses (22-24)
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A profecia: morte e regeneração do cosmos (24-27)
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Sobre a morte e a imortalidade: julgamento das almas (27-29)
O texto foi escrito num formato de diálogo entre Hermes Trismegisto e seu discípulo Asclépio, que começa com uma comparação assombrosamente explícita entre as relações sexuais e a iniciação nos mistérios sagrados (65, 35). Esta associação também está presente no Discurso sobre a Ogdóade e a Enéade (NH VI, 7), porém muito mais explícito. Prossegue uma discussão sobre a origem e a natureza da humanidade, onde os seres humanos são considerados superiores aos seus deuses, pois são menos limitados: sua imortalidade é adquirida pelo aprendizado e pelo conhecimento. Segue o que parece ser uma defesa à idolatria [1].
Depois, o Egito é exaltado como imagem do Céu, porém são previstas notícias muito graves (70, 4-5). Em uma passagem cativante e comovente, Hermes chora quando lhe contam sobre a destruição do mundo (71, 35-72, 26). Ainda assim, a regeneração do mundo virá, ou ainda já está em andamento em um sentido misterioso (74, 7-16). O texto termina com uma descrição do destino post mortem da alma (76, 22-78, 43). Ao deixar o corpo, ascende até ser recebido por um grande espírito. Se tivesse sido boa, seria permitido que ela continuasse sua ascensão, caso contrário seria presa na região entre a terra e o ceú e castigada cruelmente.
Cabe questionar o motivo da inclusão deste fragmento no códice. A ênfase que os textos herméticos colocaram sobre o ascetismo, seu enfoque sobre os conhecimentos revelados e seu conteúdo escatológico são características compartilhadas com muitos outros textos de Nag Hammadi e, talvez, razões suficientes para torná-lo atrativo às pessoas que compilaram a coleção.